Poluição sonora até debaixo da água!

O verão está aí e quem não gosta de tomar um banho de mar, fazer uma caminhada na praia afundando os pés na areia fofa, molhando os pés na água ou mesmo só ficar sentado, a observar as ondas e ouvir seu marulhar, com o canto das gaivotas ao fundo…
Pois é… Mas vocês sabiam que o excesso de ruído de que tanto falamos por aqui infelizmente não está apenas no ar, mas também nos mares?!
Várias pesquisas tem mostrado que nossas atividades tem perturbado também a fauna marinha! Isso mesmo! O mesmo excesso de ruído que vai lentamente degenerando nossos ouvidos e nossa saúde também age de forma similar nos animais marinhos. Da mesma forma que temos que falar mais alto para nos comunicarmos quando o ruído de fundo é elevado, assim fazem golfinhos e baleias.
Diversos casos já foram descritos e publicados:
Em 2000, um massacre aconteceu nas Bahamas: dezesseis baleias e um golfinho ‘encalharam’ na praia e morreram após a Marinha Americana realizar um teste com um sonar, uma operação que pode produzir um volume de som de 235 decibéis, 85 dB a mais que os gerados pela decolagem de um jato. Pesquisadores do Instituto Earthwatch (EUA) encontraram danos internos nos animais relacionados com a exposição a esse tipo de barulho. A própria Marinha admitiu que o teste pode ter influenciado no encalhe em massa. Esse é só um exemplo de como atividades humanas nas águas do planeta estão desorientando, ensurdecendo, enlouquecendo e até drogando a fauna aquática.
E nenhum curso d’água fica de fora! Nos oceanos, o maior problema é o mesmo barulho que provocou o massacre acima. Além das embarcações, a poluição sonora pode vir de obras nas orlas e de atividades portuárias. -Cetáceos, como baleias e golfinhos, vivem em grupo e usam vocalizações para se comunicar. É assim que encontram alimento e acasalam. Se há falhas nessa “conversa”, sua sobrevivência é posta sob risco.
Uma pesquisa da Universidade Estadual da Pensilvânia (a PennState, nos EUA), publicada em 2010, mostrou que baleias-francas mudam a frequência de suas vocalizações para compensar o ruído de embarcações. O mesmo fenômeno já foi detectado em belugas e orcas e, no Brasil, em toninhas – também conhecidas como golfinhos-do-rio-da-prata. Segundo Marta Cremer, professora de ciências biológicas da Universidade da Região de Joinville (Univille) e coordenadora do Projeto Toninhas, é difícil medir se e quanto a poluição sonora altera os comportamentos. Mas gravações feitas por sua equipe mostram que, quando há barcos por perto, os golfinhos emitem um som mais agudo. Além de atrapalhar a comunicação, os pesquisadores acreditam que o barulho excessivo pode provocar surdez. Em humanos, uma exposição prolongada a 85 dB (o equivalente ao som de um liquidificador) pode causar perdas auditivas. Alguém que trabalhe oito horas diárias em ambiente com um barulho desse terá a audição prejudicada em alguns anos. Um cargueiro emite ruídos de até 150 dB. “Além disso, achamos que esse barulho causa desgaste físico e estresse”, diz Marta.
A Universidade Estadual Paulista (Unesp) também investiga o nível de ruído no litoral de São Paulo. O trabalho está focado em identificar as características das fontes de som nas águas: ventos, turbulências, abalos sísmicos e barulhos emitidos por animais. A “assinatura acústica” de uma praia arenosa é diferente da encontrada em um costão rochoso. Esse conjunto de sons ajuda os bichos a se orientar. “Nosso objetivo é identificar as fontes de som, compará-las e estudar a importância delas para as espécies”, diz Mario Rollo, professor do Campus Experimental do Litoral Paulista da Unesp.
Para minimizar esses problemas, não é preciso interromper atividades importantes para a economia, mas incentivar fontes alternativas de energia, desenvolver motores silenciosos e estabelecer algumas zonas livres de ruídos, além de melhorar nossos sistemas de tratamento de água, são medidas que já ajudariam a dar mais paz e sanidade aos bichos!

FONTE: http://melhoracustica.com.br/…/poluicao-sonora-ate-de-baix…/

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